sábado, 1 de maio de 2010

hoje...





...parecia Verão! (Por isso só me conseguia lembrar desta música: aqui
Estavam só 26 ºC (há três meses atrás não diria "só" ..eheh), mas como estamos bem longe do mar, no interior profundo do país, temos um clima continental..ou seja, uma grande tosta com apenas 26ºC (!!)
Saímos da Fundação lá para as quatro, fomos almoçar (wow! escrevi isto sem pensar..fui rendida aos hábitos polacos de chamar almoço a uma refeição quente que eles comem à hora do lanche..:S). Bem, no meu caso foi segundo almoço, no restaurante vegetariano..e depois livrarias e andar a cirandar ao Sol, debaixo de um céu azul, e numa cidade que comparando a vida que tem agora em todo o lado, cá fora, (em todas as formas..), com os outros meses todos em que estive aqui..parece que se está a espreguiçar e que andou adormecida este tempo todo.
No meu quarto à tarde o Sol entra pela janela dentro e ouvem-se as crianças a brincar lá em baixo no pátio..na areia, a subirem às árvores..
à noite houve um jantar na nossa varanda encantada, com flores,relva e velinhas em canecas de vidro amarradas às grades..
e..amanhã alguém tem que ir levar o almoço ao Sr. José..aiai!

e o que ficou colado na parede..

quinta-feira, 15 de abril de 2010

posts em atraso 2 - Cemitério judaico de Varsóvia

Em Varsóvia antes da Segunda Guerra Mundial os judeus eram um terço da população da cidade, cerca de 300 mil!
Agora devem ser umas centenas. O gueto de Varsóvia ocupava uma zona imensa, quase o centro toda da cidade.
Quando os Nazis estavam a deportar em massa os judeus do Gueto, houve a revolta do gueto de Varsóvia. Os judeus com armas contrabandeadas do lado polaco resistiram durante uns tempos às forças alemãs. Porém, a consequência foi cada casa incendiada e destruída, uma a uma, para terem a certeza que toda a gente era apanhada. Por isso em toda Varsóvia só resta uma rua pequenita do gueto no estado original..e há só duas zonas onde se pode ver o que resta do muro do gueto..Resta ainda uma sinanoga, uma. De uma comunidade do tamanho de Gaia..Fica perto dessa rua.
Mesmo sabendo destes facto todos, só consegui ter a percepção da perda que este terço da população teve para a cidade quando visitei o cemitério judaico mais antigo da cidade.
É tão grande..imensas imensas campas..e o facto de estar pouco cuidado, embora me tenham dito que isso também faz mais parte de estilo judeu de cemitérios, com pouquíssimas campas com pedrinhas em cima..isso sim faz-me aperceber de como a maior parte dos descendentes desta gente terá morrido nos campos, ou no gueto..e que os sobreviventes, se os houver, estarão a viver agora em Israel, ou nos EUA e as campas para lá estão. Quase esquecidas. Nesta cidade meia esquecida, quase totalmente destruída durante a Guerra..Hmm chega de assuntos pesados por hoje ;)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

posts em atraso 1 - Auschwitz




Depois de seis meses na Polónia visitei pela primeira vez um campo de concentração. Auschwitz, foi o nome dado pelos alemães à cidade polaca de Oświęcim, e o tão famoso campo fica nos arredores desta cidade.
Primeira impressão estranha: a entrada do campo está rodeada por uma espécie de terminal de autocarros..cheio..! Imensa gente a entrar pelo edifício da recepção..imensos grupos com visitas guiadas..depois de passar por este edifício é que se chega à tal entrada do campo com a inscrição famosa de "O trabalho liberta" .
Lá dentro há umas filas de edifícios de 2 andares, originais, com relva à volta.
Em cada edifício podem-se ver partes diferentes da exposição preparada por sobreviventes do campo nos anos seguintes à libertação do campo. Num edifício vê-se uma vitrine enorme cheia de cabelos. Numa outra sapatos, malas...
O estranho é que em cada edifício em que se entra, deparamo-nos com filas de turistas em visitas guiadas a sair ou a entrar..e quando lá estive, no meio de tanta turistada, e com o Sol a brilhar na relva verde, e a imagem dos edifícios bem tratados (não tem mesmo mau aspecto), e há qualquer coisa em mim que não consegue acreditar que este é aquele sítio tão falado, onde a Sra que falei no outro dia tinha sofrido experiências médicas, onde o Sr. José que visitamos para levar o almoço, perdeu os três irmãos, o sítio que toda a gente houve falar no mundo inteiro quando aprende sobre o Holocausto.
É claro que devia ter sido menos ingénua, precisamente por ser um sítio tão badalado na História Mundial é natural que tenha tantos tantos turistas..e isto já há décadas..o que também terá contribuído para uma descaracterização do sítio, com os bus todos à porta e os quiosques a vender comida cá fora..
A outra parte do campo Auschwitz II - Birkenau, não fui visitar por falta de tempo, mas essa é a tal parte com a maior parte das câmaras de gás, e com a linha de comboio que acaba na entrada do campo, imagem que aparecem em tantos filmes. Uns amigos que lá estiveram dizem que lá, sim consegue-se ter mais a percepção da utilização dos campos. É uma zona mais ao abandono, com os restos das chaminés dos crematórios que os Nazis explodiram para destruir as provas no final da guerra..
O que me fez mais impressão nesta visita acabou por ser o grande grupo de miúdos israelitas, à volta dos 16 anos, todos com o chapéuzinho judeu na cabeça e com a bandeira de Israel às costas, que estavam a visitar ao mesmo tempo que nós..
Aperceber-me da dimensão desta imagem. Como um círculo que se fecha..Por causa de isto, do que se fez aqui neste campo, a antepassados deles à 70 anos atrás, criou-se um país novo, no meio da Palestina, Israel, para pôr finalmente os judeus em segurança de um mundo que sempre os perseguiu. E agora estes miúdos, que nasceram num estado judaico, vêm todos numa visita de estudo à Polónia, ou melhor aos restos judaicos da Polónia, conhecer a História /história do seu povo.. Mas em que modos lhes serão contadas as histórias, a História?
Será que lhes insinuam que o que aconteceu aos antepassados deles justifica o que se faz agora aos Palestinianos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia?
Não sei..mas a imagem deste grupo de miúdos a cantar em roda e a agitar as bandeiras fora do campo no final da visita, com toda a gente à volta parada a fitá-los..

sábado, 3 de abril de 2010

poema rápido: antes de ir ao carrefour

(Precisava de dar qualquer coisa a uma qualquer pessoa, escreveu o Gedeão)
quero escrever-te um email.
um poema, digo.
em que ouças os pássaros da Primavera em Varsóvia.
e sintas o calor do Sol que entra pelos estores do meu quarto nesta tarde.
e vejas como o senhor da banca das flores pegou com tanto cuidado
nos miosótis que compramos no outro dia.
Como o verde se está a espreguiçar para fora de tudo, agora.
E por falar em verde,
se andarmos ao calhas a conhecer-nos pelos parques,
então vou te contar como
a brisa, nalguns dias,
parece o Porto no Verão,
com a luz do Douro dos dias sem nuvens,
e os olhares encadeados pelo Sol que se espalha pelas pontes adentro.
Pontes do Porto.
De ferro, grandes e seguras.

Como uma montanha em que(m) se pode confiar.